"Ela gostava quando, depois de muito tempo calada, ele pegava no seu queixo perguntando: “o que foi, guria?” Ele gostava quando ela dizia: “sabe, nunca tive um papo com outro cara assim que nem tenho com você”. Ela gostava quando ele dizia gozado “você parece uma pessoa que eu conheço há muito tempo”. E de quando ele falava: “calma, você tá tensa, vem cá”, e a abraçava e a fazia deitar a cabeça no ombro dele para olhar longe, no horizonte do mar, até que tudo passasse, e tudo passava assim desse jeito."
-(Caio Fernando Abreu)(Source: quesejadoce-sempre)
"- Oi, meu nome é Eduardo - tenho certeza que minhas bochechas ficaram mais vermelhas que o cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol dela.
- Oi, meu nome é Brenda - e ela sorriu. Mas dessa vez, não apenas com os olhos. Eu não sabia nada sobre as mulheres, mas achei isso um bom sinal.
Quando ela começou a juntar os lábios para pronunciar meu, logo depois do oi, meu coração já tinha experimentado bater do jeito mais rápido possível, voltar para o lento, parar e acelerar novamente. Isso não aconteceu nem na sétima série quando a menina que eu gostava me deu um beijo na bochecha durante o jogo de verdade ou consequência. E porra, tinha sido um beijo. E eu gostava dela. Hoje foi só um oi e eu nem sabia o que eu sentia por essa menina do cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol. Mas que eu sentia alguma coisa, isso eu já estava começando a aceitar, porque não era possível.
- Oi - repeti, sem saber o que falar, mas lembrando de respirar dessa vez.
- Achei que você nunca ia falar comigo - ela deu um sorrisinho tímido.
Sério? Sério que ela estava tirando com a minha cara? Já tinham feito isso antes. Se fosse qualquer outra mulher eu inventaria uma desculpinha, o orgulho falaria mais alto e eu encerraria a conversa ali mesmo. Mas com ela era diferente, eu ficava pensando em o que falar, em assuntos que ela fosse achar interessante (mas oi, eu nem sabia do que ela gostava). E o jeito que ela olhou pra mim e depois desviou o olhar, tímida, sei lá, deu um negócio aqui dentro.
- Eu também achei - falei, com cara de idiota.
Aí nós ficamos lá, em silêncio, apenas nos olhando, desviando olhares e dando sorrisinhos bobos, até chegar no ponto. Ela seguiu para a farmácia, eu esperei ela entrar e entrei no meu trabalho. Nem notei se a chefe havia reclamado dos minutos de atraso. Para falar a verdade, não prestei atenção em nada hoje, nadinha mesmo. A única coisa que passava pela minha cabeça era o quão idiota eu havia sido hoje pela manhã e por qual motivo ela havia sorrido para mim. Duas coisas que eu ainda ia descobrir. Duas coisas que eu precisava saber o motivo. A primeira porque isso não era normal, esse tipo de coisa não acontecia comigo, de ser idiota na frente de mulheres, eu sempre conseguia. A segunda porque sei lá, ela era incrível e, mulheres como ela não falavam com caras como eu.
Terça, quarta e quinta foram assim. Essas conversinhas idiotas que, não sei para ela, mas para mim resultavam em horas pensando, insônias, sonhos, vontades… Até que quinta à noite tomei a decisão de chamá-la para sair na sexta.
- Oi - comecei, já tudo completamente errado do que eu havia passado a noite toda e uma parte da manhã planejando.
- Como você está? - ela meiga como sempre.
- Bem - respondi e fiquei olhando para ela. Aqueles olhos me prendiam demais. E aquele cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol fazia com que ela, sentada do lado da janela na terceira fila no ônibus, ficasse mais perfeita ainda. Quando me dei conta que ela esperava um ‘e você?’, voltei para a realidade e perguntei - e você?
- Bem também - e novamente aquele sorriso. Porra. PORRA. Calma Eduardo, respira, vai.
- Vai fazer alguma coisa hoje à noite? - falei tão rápido que nem sei como ela entendeu.
- Não tenho nada programado, tem alguma coisa para me sugerir? - ainda bem que ela colaborou, porque tava difícil de continuar.
- Ahm… - aí eu lembrei que tinha planejado tudo, que iria a convidar para sair sexta à noite e tudo mais, imaginado os diálogos, mas tinha esquecido de pensar em ONDE levá-la. Boa Eduardo, muito boa.
- Tem um restaurante que abriu perto da minha casa, eu estava pensando em ir, se quiser me acompanhar, será bem vindo.
Além de ser incrível, linda, gostosa, perfeita e outros adjetivos que se eu fosse descrever, não acabaria nunca mais, ela sabia exatamente quando falar e o que falar. Por favor, casa comigo, Brenda.
- Ah, claro. Ótimo, perfeito. Excelente - acho que eu exagerei, mas deve ter dado certo, porque ela riu quando eu abri a boca para falar ‘magnífico’.
- Combinado então, estarei lá às 19:00 p.m., Bistrô Varanda - ela falou assim que descemos do ônibus, antes de continuar seu caminho.
Fiquei o trabalho inteiro pensando em que roupa colocar mas não cheguei em conclusão nenhuma. Enfim, almocei, vi televisão, comi de novo, tomei banho, parei na frente do meu guarda roupa e tentei escolher algo para vestir. Peguei a calça jeans preta e a camisa cinza nova que eu havia ganhado semana passada. É, acho que fiquei bonito, ou menos feio, tanto fazia, acho que melhor não dava. Passei perfume e fui até o local combinado. Cheguei 18:57 p.m. e ela ainda não estava lá. Exatamente às 19:00 p.m., olhei para o lado esquerdo e a vi. Puta que pariu. O cabelo cor de céu de outono no pôr-do-sol ficava incrível até de noite, sem a luz do sol. E a silhueta dela estava perfeita, porque ela vinha na contra luz. Gostosa. Gostosa demais.
- Estou atrasada? - mesmo se ela estivesse, qualquer garoto esqueceria alguns minutos de espera depois de vê-la.
Fiz não com a cabeça e entramos no restaurante. A comida era muito boa, mas a conversa com ela foi melhor ainda. Ela estava morando aqui há três meses, então tive que fazer a clássica proposta ‘se você quiser, te apresento a cidade’. Ela riu, mas não respondeu. Outra coisa que era típica dela, me deixar curioso, ser difícil, tímida e misteriosa. Mas eu gostava disso. Na verdade, eu gostava muito disso.
- Quer continuar a conversa lá em casa? - perguntei, após pagar a conta, não pensando apenas em conversar.
Ela hesitou, olhou para o relógio, olhou para mim com uma cara de ‘você não quer apenas conversar’, deu um sorrisinho e finalmente falou: - Acho que tudo bem.
Assim que cheguei na frente do prédio o porteiro me olhou com uma cara de safado. Qual é? Só porque eu não levava mulheres pra casa sempre? Qual foi? Acenei para ele, que logo em seguida abriu o portão. Elevador. Porra. Elevador. Eu tinha um certo fetiche com elevadores e você vai concordar comigo que ficar em um elevador sozinho com essa perfeição em pessoa sem fazer absolutamente nada não era para qualquer um. E eu consegui. E eu me achei foda por isso. Mas assim que eu abri a porta, ela entrou e olhou para mim com a cara mais tímida, meiga e safada do mundo, eu não resisti.
- Posso te beijar? - perguntei ciente que faria muito esforço para esperar a resposta. Mas ela, como sempre, me surpreendeu e, ao envés de responder, deu um passo em minha direção e me beijou."
-Eduardo e Brenda, Olivia Dias (via a-drenalina)
"Eu quero mesmo é alguém me faça mudar completamente de opinião.
Que faça meu corpo querer companhia nos momentos em que minha mente insiste pela solidão"
-Caio Fernando Abreu. (via verborragias)(Source: marlivia)
"E se você acha que meu orgulho é grande, é porque nunca viu o tamanho da minha fé."
-Caio F. Abreu (via brbis)(Source: cirandices)
"- Fica.
- Aonde ?
- Sei lá, na minha casa, do meu lado, na minha vida, pra sempre. Só fica."
- Desconhecido (via sincronizar)(Source: thelifegoes-on)